A 23 de novembro do último ano rebentou um escândalo de consequências imprevisíveis e do qual ainda se aguardam mais desenvolvimentos. Uma ação policial conjunta da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) levou a buscas para encontrar provas relativas a um esquema de facilitação na concessão de licenças de pilotos. Os primeiros indícios haviam sido descobertos pela própria ANAC, que convocou então as autoridades.

Como funcionaria o esquema

De acordo com a Agência Brasil, que relatou o caso no dia em que a notícia foi divulgada, o problema estaria em um conjunto de funcionários que fazia a proposta, a alguns candidatos, de facilitar o processo de emissão de licença. Se o candidato aceitasse a proposta, seriam elaborados documentos falsos para justificar a atribuição da licença.

Ainda segundo a Agência Brasil, a ANAC suspendeu no imediato 34 licenças, onde tinha suspeita de irregularidades, e determinou a cassação de 3 licenças. Como seria de esperar, nenhum dos “pilotos” estava trabalhando em operações regulares, pois muitas vezes você precisa ter um bom currículo profissional para conseguir um determinado cargo – só a licença não é suficiente.

Corrupção endêmica na ANAC? Provavelmente não

É tranquilizante saber que foi a própria ANAC que acionou os meios para interromper este esquema, o que significa que o organismo público estará longe de ter sido totalmente tomado por funcionários sem ética. Como sempre acontece, para que o mal seja parado só é necessário que o bem faça alguma coisa, sem pecar por omissão.

De qualquer forma, esse caso vem relembrar que o problema da corrupção é cultural e não está limitado à esfera política ou das elites financeiras. É algo que cada cidadão brasileiro precisará incorporar em sua própria consciência, sabendo que seu benefício à margem da lei está sempre prejudicando o concorrente que segue as regras.